Argentina

27/04/2020

A Argentina contabilizava 3.879 casos de Covid-19 no dia 27 de abril, com 192 vítimas fatais. Desde a descoberta do primeiro caso em território argentino, no dia 3 de março, o governo tem adotado medidas severas para conter o avanço da pandemia.

A princípio, passou a supervisionar viajantes que aterrisavam no país vindos de zonas afetadas pelo Sars-CoV-2 a fim de detectar um possível vetor de transmissão do vírus. Já no dia 15 de março, 12 dias após o primeiro caso, o presidente Alberto Fernández anunciou a suspensão das aulas presenciais no país por quatorze dias, medida que seria ainda prorrogada. Em 16 de março, o governo, por meio do Decreto 274/2020, proibiu o ingresso de estrangeiros no território argentino. No dia 20 de março às 00h, implementou-se o Isolamento Social, preventivo e obrigatório.

No campo econômico, os ministérios da Economia e do Desenvolvimento (tradução livre para "Ministerio de Desarollo Productivo") anunciaram diversas medidas de emergência para proteger a produção e o emprego de seus nacionais. Destacam-se: a isenção de contribuições patronais sobre setores seriamente afetados pela crise; o pagamento extra de 3.103 pesos aos auxílios Asignación Universal por Hijo (Tradução livre: Auxílio Universal por Filho) e Asignación Universal por Embarazo (Tradução livre: Auxílio Universal à Gravidez); a disponibilização de linhas de crédito, mediante o plano Procrear, do Ministério da Habitação, para projetos que envolvam construção civil - visando a alavancar a economia; e o tabelamento de preços máximos para determinados produtos como álcool em gel e máscaras.

Ademais, no dia 23 de março, os ministérios da Economia e do Trabalho implementaram o plano "Igreso Familiar de Emergencia (IFE)", distribuindo 10 mil pesos argentinos, de uma única vez, a trabalhadores de setores críticos, trabalhadores autônomos, aposentados, pensionistas e dependentes de bolsas governamentais, auxiliando grupos mais vulneráveis diante das agruras da crise trazida pela Covid-19, além de proibir demissões por um prazo de 60 dias.

Destaca-se, ainda, que, consoante às medidas supramencionadas, o governo argentino ainda abriu linha de crédito especial com juros abaixo da inflação e, por meio do já existente Programa de Recuperación Productiva (Repro), o Estado assumirá parte da carga salarial de empresas de transporte de passageiros, hotelaria e entretenimento, além de isentá-las do pagamento de impostos patronais.

(Vinícola nos arredores de Mendoza, com os Andes ao fundo)
(Vinícola nos arredores de Mendoza, com os Andes ao fundo)

Assim como demais países ao redor do globo, a Argentina também criou e forneceu gratuitamente um aplicativo oficial com informações sobre o novo coronavírus. Por meio do app CUIDAR COVID-19, os argentinos podem se atualizar sobre a situação da pandemia no país e descobrir mais sobre formas de prevenção, bem como o que fazer em caso de sintomas. O referido aplicativo, um instrumento de "auto-exame", passou a ser obrigatório a todos aqueles que ingressassem em território argentino. Na mesma esteira, cumpre ressaltar que, além dos modernos aplicativos, o governo tem disponibilizado atendimentos psicológicos via telefone a idosos sozinhos durante o isolamento social, trazendo um pouco de qualidade de vida meio à solidão por que passam. Além do mais, as autoridades argentinas ainda aumentaram a capacidade do sistema de saúde do país através da construção de mais 1.200 leitos de emergência.

Paralelo ao governo, representante da Sociedade Civil também vêm se empenhando em diversas medidas contra a crise. Por meio da Plataforma Frena la curva, criada na Espanha e hoje difundida pelo mundo, é possível visualizar mais de 40 iniciativas hoje em curso no país. Por todas as províncias argentinas, voluntários organizam-se para tirar projetos do papel e fazer sua parte contra a Covid-19. Vastas, encontram-se grupos fazendo desde máscaras de pano a impressões 3D de materiais de proteção médica.

Nesse sentido, o governo do país lançou a Campaña nacional para la produción solidaria de elementos de protección personal, cujo escopo é fomentar os famosos "makers" - profissionais e estudiosos tech - a desenvolverem máscaras de proteção facial via impressoras 3D, unindo Sociedade Civil, Instituições de pesquisa e Poder Público.

Valendo-se também de tecnologia, o aplicativo CoTrack mostra ao seu usuário mapas com incidência de Covid-19 no país, permitindo que se evite tais zonas. Já a plataforma Domestika fornece inúmeros cursos online, tais como fotografia profissional, aquarela, corte e costura, design de interiores e ilustrações em geral, dentre outros.

A famosa organização Barrios de Pie, por sua vez, instalou duas mil restaurantes populares em todo o país. Com a chegada da Covid-19 e a decorrente piora da já delicada situação econômica argentina, a situação de fome se agravou no país, levando o grupo a promover ações de auxílio a grupos mais vulneráveis.

Além da Sociedade Civil e Poder Público, representantes da iniciativa privada no país também tem se mobilizado. A Ford, por meio de sua fábrica na cidade argentina de Pacheco, iniciou produção de milhares de máscaras a serem distribuídas entre profissionais de saúde. A distribuição será realizada por intermédio das secretarias de saúde e da Cruz Vermelha. Outras empresas também são destaque por doar máscaras, seja ao sistema de saúde, seja à população, a exemplo da startup Lab-a.

Apesar de contar com ações provenientes de diversos setores da sociedade argentina, é inegável o papel de preponderância que teve o Estado ao manejar a crise, até hoje tida como bem sucedida. Com medidas controversas ou não, o Poder Público argentino foi o protagonista na mitigação dos efeitos da Covid-19 no país.