China

27/04/2020

Até o dia 27 de abril de 2020, a China contabilizou 83.938 casos e 4.637 mortes pelo coronavírus. Em 27/12/2019, o Hospital Provincial de Hubei de Medicina Integrada Chinesa e Oriental fez a primeira notificação oficial sobre uma possível nova patologia ao centro de controle e prevenção de doenças no distrito de Jianghan. Após o comunicado, foram iniciadas investigações em outros hospitais e, em 31/12/2019, a China fez uma notificação à Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a recente doença desconhecida. Após estudos que apontavam a gravidade da situação e elevações no número de casos, em 23/01/2020, a China colocou a cidade de Wuhan sob quarentena. Apesar das frequentes acusações sobre uma suposta negligência do governo chinês em relação ao vírus, diversos profissionais da saúde ao redor do mundo apontam que o país foi eficiente ao conter a disseminação do vírus, conseguindo atrasar a contaminação em dias.

No que tange às medidas públicas, a eficiência do governo chinês é atribuída, sobretudo, à implementação de quarentena, celeridade no isolamento de casos suspeitos, identificação de possíveis contaminados e alto grau de testagem. Diversas cidades inteiras, como Wuhan, na província de Hubei, foram postas sob quarentena. Atribui-se a efetividade das medidas de quarentena e isolamento à grande capacidade de vigilância chinesa, pois milhões de câmeras espalhadas pelo país são capazes de realizar reconhecimento facial, identificando indivíduos que poderiam estar descumprindo a quarentena mesmo sob suspeita de contaminação. Além disso, a China determinou a checagem pública de sintomas, de modo que foram colocados, em estabelecimentos públicos, instrumentos para identificar se os cidadãos apresentavam sintomas do coronavírus e encaminhá-los para os centros médicos. Considerando uma possível sobrecarga do sistema de saúde, a China construiu diversos hospitais, com capacidades de 500 a 1.000 leitos, exclusivamente para tratar os casos da Covid-19.

Para além das medidas sociais, em termos econômicos, a China também adotou medidas para redução dos impactos da crise. Nesse aspecto, embora haja recomendações do governo nacional, cidades e províncias também adotaram medidas próprias no âmbito de suas respectivas competências. A nível nacional, o governo determinou medidas como dedução completa do imposto de renda corporativo sobre instalações para empresas produtoras de materiais ou suprimentos essenciais, dedução total do imposto de renda corporativo ou individual para empresas ou indivíduos que realizassem doações para o combate ao coronavírus e isenção de imposto de renda pessoal para trabalhadores da saúde e de prevenção a epidemias que atuassem na linha de frente contra a Covid-19. É importante mencionar que essas medidas foram adotadas já nos primeiros dias de janeiro, antes mesmo de a doença ser considerada uma pandemia.

A nível das cidades, diversas decisões foram adotadas, contudo destacam-se medidas implementadas por Pequim (capital) e Xangai pela relevância que possuem na economia chinesa. O governo de Pequim determinou diferentes ações, como a prorrogação do pagamento de impostos para pequenas e médias empresas com dificuldades ocasionadas pelo vírus, subsídios para empresas que contratarem trabalhadores que perderam o emprego durante a epidemia e redução de taxas para concessão de empréstimos a empresas. O governo de Xangai adotou posturas semelhantes, determinando a obrigatoriedade de os bancos locais concederem empréstimos com taxas de juros 25 pontos abaixo do valor referencial LPR, o retorno do pagamento de prêmios do seguro desemprego e o adiamento do ajuste nas bases de cálculo previdenciário. Essas medidas também começaram a ser implementadas nos meses de janeiro e fevereiro, antes de a disseminação do vírus ser considerada uma pandemia. 

(Cidade Proibida, em Pequim, capital da China)
(Cidade Proibida, em Pequim, capital da China)

A nível das cidades, diversas decisões foram adotadas, contudo destacam-se medidas implementadas por Pequim (capital) e Xangai pela relevância que possuem na economia chinesa. O governo de Pequim determinou diferentes ações, como a prorrogação do pagamento de impostos para pequenas e médias empresas com dificuldades ocasionadas pelo vírus, subsídios para empresas que contratarem trabalhadores que perderam o emprego durante a epidemia e redução de taxas para concessão de empréstimos a empresas. O governo de Xangai adotou posturas semelhantes, determinando a obrigatoriedade de os bancos locais concederem empréstimos com taxas de juros 25 pontos abaixo do valor referencial LPR, o retorno do pagamento de prêmios do seguro desemprego e o adiamento do ajuste nas bases de cálculo previdenciário. Essas medidas também começaram a ser implementadas nos meses de janeiro e fevereiro, antes de a disseminação do vírus ser considerada uma pandemia.

Além de medidas governamentais, também podem ser identificadas, na China, diversas medidas da Sociedade Civil no combate ao vírus. A atuação da população se manifesta de diferentes formas, como a partir de doações, campanhas de informação e acompanhamento dos efeitos da pandemia em determinados grupos sociais. Com relação às doações, a população chinesa criou campanhas para arrecadar fundos e revertê-los em recursos como máscaras e demais materiais de proteção para trabalhadores que estão na linha de frente de combate à pandemia. Nesse sentido, uma grande campanha conhecida como "Máscara + nome da cidade", liderada por jovens do ensino médio e universitário, foi registrada nas cidades de Pequim, Xangai, Fuzhou, Zhuhai, Chengdu e outras dezenas, tendo sido entregues equipamentos para trabalhadores do saneamento urbano que careciam desses recursos.

Ainda no campo de atuação da Sociedade Civil, outra importante iniciativa foi implementada no âmbito do sistema educacional. Com a suspensão das aulas presenciais e transferência das atividades para o sistema online, houve a arrecadação de equipamentos eletrônicos para estudantes carentes. Em razão da dificuldade financeira desses alunos, um grupo universitário lançou o projeto "Plano dos Pontos", em livre tradução, para acompanhar e produzir um relatório sobre a situação educacional dos estudantes carentes durante a pandemia. No âmbito laboral, associações trabalhistas criaram grupos de contato direto via WeChat para dar suporte psicológico aos trabalhadores e implementaram canais online e por telefone para esclarecer violações da legislação trabalhista. 

(Grande Muralha da China, no interior do país)
(Grande Muralha da China, no interior do país)

As ações do setor privado também ganharam destaque no combate à pandemia. O aplicativo WeChat, espécie de "WhatsApp" chinês, foi acrescido com uma função de rastrear, por meio da localização, os casos mais próximos registrados. Com relação ao setor tecnológico, também se destacam parcerias entre o setor privado e público, pois empresas estatais e privadas se uniram para lançar aplicativos capazes de identificar o risco de exposição ao contágio com base em locais que o cidadão já frequentou. Também foram lançados aplicativos que realizavam "checagens" a partir da ocorrência de sintomas e indicavam a necessidade de o indivíduo buscar atendimento médico. Para além das medidas tecnológicas, empresas operantes na China também implementaram um sistema de cessão de mão de obra segundo o qual empresas que reduziram ou paralisaram suas atividades cederam seus trabalhadores para as empresas que aumentaram suas atividades e, consequentemente, passaram a necessitar de um maior número de empregados, como redes de supermercados e restaurantes.

Um fenômeno observado em diversos países durante a pandemia é a participação de instituições religiosas no combate ao vírus. Na China, embora de forma mais tímida em razão das normas para o funcionamento dessas instituições, também se identifica a atuação de igrejas e templos, principalmente na criação de campanhas de doação.

No campo das pesquisas sobre possíveis vacinas e medicamentos, a China comunicou importantes avanços. Em 14/04/2020, a agência de notícias Xinhua anunciou que duas vacinas experimentais, desenvolvidas pela Sinovach Biotech e pelo Instituto Wuhan de Produtos Biológicos, foram aprovadas para iniciar a fase de testes em humanos. A Universidade de Tsinghua de Pequim, em conjunto com o 3º Hospital Popular de Shenzhen, desenvolve pesquisas com anticorpos que podem ser utilizados como medicamentos. A Academia Chinesa de Ciências (ACC) anunciou que o Instituto de Matéria Médica de Shangai e a Universidade Shanghai Tech iniciaram a testagem de 30 medicamentos já existentes, inclusive medicamentos tradicionais chineses, para avaliar sua eficácia no combate ao vírus.

No dia 08/04/2020, a cidade Wuhan, epicentro da pandemia na China, anunciou o início de um "relaxamento" das medidas de confinamento após a diminuição do número de casos de contaminações. Ao longo do mês de abril, a China vem registrando dias que oscilam entre aumentos e diminuições do número de contágios, bem como dias em que não são registradas mortes.

Pode-se observar que as medidas e políticas relatadas indicam que desde o reconhecimento da Covid-19 como uma epidemia, a China adotou diferentes medidas para reduzir seu contágio, bem como para diminuir os impactos sociais e econômicos advindos da disseminação do vírus. Portanto, o país mostra estar comprometido com o controle do número de casos em seu território e com a garantia do bem-estar de sua população e instituições, também auxiliando diversos países no combate à pandemia.