Colômbia

27/04/2020

No dia 27 de abril de 2020, a Colômbia contabilizava 5.597 casos positivos de Covid-19, dos quais 253 falecidos. Com 2.345 casos, a capital Bogotá era a cidade com o maior número de infectados.

No dia 6 de março de 2020, a Colômbia registrou seu primeiro teste positivo para o novo coronavírus. No dia 15 de março, então com 45 casos de Covid-19, o presidente colombiano Iván Duque anunciou a suspensão de todas as atividades acadêmicas no país, tanto públicas quanto privadas. No dia seguinte, o governo decidiu por limitar em 50 o número máximo de pessoas em eventos, decretando estado de emergência (tradução livre para "Estado de Emergencia Económica, Social y Ecológica en todo el territorio nacional") no dia 17 de março de 2020 e isolamento preventivo de idosos com mais de 70 anos do dia 20 de março a 31 de maio.

Da descoberta do primeiro caso até a presente data, o Estado colombiano tem implementado as mais variadas medidas em inúmeros setores. Da Educação à Economia, são destaques: a suspensão do ingresso de voos internacionais em território colombiano; a extensão do prazo de pagamento de certos tributos, tanto no âmbito nacional quanto local; isenção transitória do imposto sobre venda (IVA) - observados certos requisitos e a aplicação de imposto temporário sobre renda de funcionários públicos com salário superior a 10 milhões de pesos.

O governo colombiano também tem implementado programas de auxílio à população de baixa-renda diretamente afetada pela crise. O projeto Ingreso Solidario fornece um subsídio de 160 mil pesos colombianos a famílias em situação de vulnerabilidade, já o Subsidio Desempleo concederá um auxílio emergencial para aqueles que perderam seus empregos em razão da crise gerada pela pandemia. Na mesma linha, o Ministerio de Comercio, Industria y Turismo anunciou que os guias turísticos receberão um respaldo econômico de 585 mil pesos colombianos por até três meses. Por fim, insta ressaltar que o país sul-americano ainda devolverá imposto já pago (IVA) a mais de 1 milhão de pessoas de baixa renda.

(Tradicionais casas coloridas, em Guatapé, Colômbia)
(Tradicionais casas coloridas, em Guatapé, Colômbia)

Além dos subsídios, a Colômbia tem seguido as tendências mundiais e disponibilizado plataformas virtuais com informações sobre o Sars-CoV-2. Por meio de seus sites oficiais, o país vem combatendo fake news e informando a população sobre meios eficazes de prevenção, atualizando-a periodicamente sobre a situação da pandemia no território nacional. Os colombianos contam, ainda, com o aplicativo CoronApp Colombia disponibilizado especialmente para se acompanhar a situação da crise no país.

Para além das iniciativas do Poder Público, cumpre salientar algumas das diversas ações que a Sociedade Civil vem executando no país latino. A organização Ciudad em Movimiento, por meio de suas redes sociais lançou um movimento denominado "Solidariedade es acción" que em menos de dois dias angariou doações suficientes para adquirir alimentos não perecíveis para 75 famílias de bairros pobres de Bogotá - a organização visualiza outros projetos. Medida semelhante foi adotada pelo coletivo feminista Viejas Verdes que, mediante o uso das redes sociais, coletou alimentos para doar a moradores de rua.

Paralelo ao trabalho autônomo da população, diferentes iniciativas firmadas entre o Poder Público e a Sociedade Civil têm demonstrado efeitos positivos. Prefeituras de municípios colombianos como Circasia, Bogotá e Barranquilla, unidos a lideranças e iniciativas sociais locais, têm realizado mutirões de doações, arrecadando milhões de pesos e alimentos não-perecíveis a serem doados aos moradores das regiões mais pobres de tais cidades.

Por fim, a iniciativa privada também tem exercido um papel de destaque no combate à pandemia na Colômbia. As ações empenhadas por membros do setor bancário e empresarial são vultosas e diversas, seja por pressão popular, seja por estratégia de mercado. A Ecopetrole a Refinaria de Cartagena doaram 5 mil trajes de proteção ao Departamento de Saúde de Cartagena; A Unilever doou 196 toneladas de produtos de uso uso pessoal; Bavaria e Banco Itaú construirão hospital de campanha em Barranquilla e Usineiros doaram 1 milhão de quilos de açúcar e 900 mil litros de álcool a 80 cidades do país.

Parte das doações provenientes da iniciativa privada são estimuladas e gerenciadas pela campanha 'Ayudar Nos Hace Bien', liderada pela Primeira Dama colombiana, María Juliana Ruiz. O projeto tem como objetivo angariar fundos junto do setor empresarial a fim de adquirir cestas básicas para famílias pobres do país. De forma semelhante, outras iniciativas empresariais congregam membros do setor industrial para promover ações contra a pandemia, comprando respiradores, máscaras, dentre outras medidas.

Tais características põem em evidência a coordenação entre diferentes atores que existem na Colômbia. Seja pela coordenação de doações pelas prefeituras, pela liderança da Primeira Dama em projetos de arrecadação de alimentos, pela força das políticas públicas ou pelo empenho da iniciativa privada, o país revela uma multiplicidade de instrumentos para lutar contra a Covid-19.