As Comunidades Indígenas e a Covid-19

11/06/2020

Jornais do país todo têm noticiado amplamente as consequências da Covid-19 nos grandes centros urbanos, e sobretudo as principais medidas que estão sendo tomadas nessas cidades. Entretanto, ao lado dos espaços urbanos, muitas vezes menos mencionada pela mídia, há uma população que também corre riscos graves devido à pandemia: a comunidade indígena. Nesse sentido, faz-se necessário conhecer algumas medidas tomadas para a prevenção da contaminação em massa do povo nativo.

Em relação às medidas governamentais, o Ministério da Saúde apresentou um Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus em Povos Indígenas, que menciona orientações de como deve ser o atendimento aos indígenas com sintomas da doença. O Plano também pede que os Agentes Indígenas de Saúde e Saneamento conscientizem a comunidade a respeito das medidas de prevenção e controle da Covid-19.

Além disso, o Ministério da Saúde também tratou da problemática a respeito do acesso às terras indígenas - e potencial contaminação da população - através da elaboração de um documento, com recomendações à FUNAI - Fundação Nacional do Índio. Um dos pedidos inclui medidas de restrição à entrada de pessoas nos territórios indígenas, além da necessidade de quarentena para profissionais de saúde e membros da FUNAI antes do acesso a esses povos.

A sociedade civil também está empreendendo esforços para ajudar a comunidade indígena no cenário da pandemia. O Conselho Indígena de Roraima (CIR) iniciou uma campanha para arrecadar doações a comunidades indígenas como forma de auxílio durante a pandemia do novo coronavírus. O CIR também distribuiu 178 cestas básicas, kits de higiene e álcool em gel às famílias dos líderes indígenas que estão nas barreiras sanitárias de proteção das comunidades do estado. Essas barreiras exigem medidas de higiene aos moradores que chegam à comunidade e controlam o fluxo de movimento, liberando uma vez por semana a saída para quem quer comprar alimentos no município.

É de suma importância que a nação não feche os olhos para os povos originários durante a crise do Coronavírus, e que os meios de comunicação não se atenham somente aos grandes centros urbanos. A luta contra a doença é protagonizada por todos, e dar visibilidade ao povo mais vulnerável é sobretudo pensar em medidas específicas as suas demandas e a sua realidade apartada das cidades.


Jade Macedo

Estudante de Direito na FGV/DireitoRio.