Coréia do Sul

27/04/2020

No dia 27 de abril de 2020, a Coreia do Sul apresentava 10.738 casos de infectados pelo coronavírus, sendo 8.764 recuperados da doença e um total de 243 mortos. O primeiro caso confirmado de COVID-19 no país foi registrado no dia 20 de janeiro de 2020. O país, de acordo com os dados atuais, é considerado o 24° com o maior número de infectados do mundo, ficando atrás de países como o Canadá e Brasil.

A Coreia do Sul possui um histórico de combate a epidemias. Em 2002, o país foi assolado pelo surto do vírus SARS, responsável por causar a Síndrome Respiratória Aguda Grave, e, em 2015, houve a disseminação de um vírus causador da doença MERS, Síndrome respiratória do Oriente Médio, que contagiou mais de 100 pessoas no país.

A experiência adquirida pela Coreia do Sul na contenção da disseminação dessas viroses anteriores possui um papel fundamental no enfrentamento do novo coronavírus. De modo geral, a atuação da Coreia do Sul tem sido considerada uma referência mundial no que tange ao achatamento da curva de contaminação, tendo o país se destacado pelo uso de tecnologia e pela resposta rápida do governo à epidemia.

A análise das principais medidas de combate ao vírus na Coreia do Sul será dividida em partes. Primeiramente, serão analisadas as medidas oriundas do setor público, que adotou, como pilares de atuação, o incentivo ao uso das máscaras faciais, a realização de um isolamento social brando e o auxílio econômico aos mais vulneráveis. Em seguida, será destacada uma medida proposta pela Sociedade Civil sul-coreana, a qual urge às autoridades mais medidas de apoio à população carente. Por fim, atuações que tiveram a participação do setor público-privado, como a testagem em massa e o uso da tecnologia para informar e rastrear indivíduos, serão analisadas.

Sobre o setor público, o uso de máscaras faciais é uma prática regular na Ásia e que tem sido ainda mais incentivada neste momento por meio de alertas emitidos pelo governo e transmitido aos celulares dos cidadãos. Essa recomendação, que se iniciou em meados de janeiro, quando houve o primeiro caso, vai de encontro ao entendimento inicial da Organização Mundial da Saúde, segundo o qual somente pessoas que apresentassem sintomas ou estivessem em contato com infectados deveriam usar as máscaras.

No que diz respeito ao isolamento, a Coreia do Sul não realizou o lockdown total, suspendendo somente atividades como as aulas presenciais nas escolas, que passaram a ser realizadas por meio de uma plataforma online.

Na seara econômica, o governo de Seul disponibilizou 327.1 bilhões de KRW para ajudar famílias de renda baixa ou que foram prejudicadas pela disseminação do coronavírus. A previsão é de que essa medida ajudará 1.2 milhões de famílias, em especial donos de comércio e profissionais autônomos. Ainda, a Assembleia Nacional da Coreia do Sul aprovou uma lei que aumenta a quantidade de despesas governamentais, para até 117 trilhões de KRW, que tenham a finalidade de ajudar determinados setores da economia, como turismo, aviação, transporte, exportação e logística.

No que tange ao papel da Sociedade Civil, no dia 19 de março de 2020, mais de quarenta Organizações Não Governamentais e Organizações da Sociedade Civil coreanas se uniram para realizar um pedido formal ao governo: mais leitos hospitalares e mais suporte ao mais vulneráveis.

(Vista de Seul, capital do país)
(Vista de Seul, capital do país)

Sobre as medidas do setor público-privado, a Coreia do Sul se destacou pela testagem em massa. A testagem em massa significa que o país realiza a testagem daqueles que fazem parte do grupo de risco, daqueles que possuem somente uma suspeita da doença e, também, daqueles que não apresentam quaisquer sintomas. Essa testagem em massa foi de especial importância, pois como ao longo do tempo foi constatado que o coronavírus pode se manifestar, em alguns indivíduos, de forma assintomática, a ausência da realização dessa testagem dificulta o controle da disseminação do vírus. Destaque-se que a Coreia do Sul pôde realizar essa testagem em massa devido à ampla disponibilidade de kits de testes.

O setor privado foi responsável por parte relevante dos testes utilizados no país. A empresa que recebeu maior destaque midiático foi a Seegene. Segundo dados do governo, a estimativa é de que até 27 de abr. de 2020 foram realizados 601.660 testes no país. Os testes podem ser realizados em drive-thrus e em outros seis locais ao longo país e seus resultados são divulgados em aproximadamente 6 horas. A ampla disponibilidade de testes se mostrou, sem dúvidas, como uma verdadeira vantagem frente a outros países que tiveram que recorrer à importação.

A respeito do uso de tecnologia como medida de prevenção, é possível observar uma adesão não só governamental - uma vez que o próprio governo disponibilizou um aplicativo para tratar do monitoramento de casos suspeitos e infectados -, como também social. Na parte social-privada, é possível observar que aplicativos como o Corona100 se popularizaram. Esse aplicativo é utilizado para o rastreamento de casos e funciona de forma a extrair informações do banco de dados do governo para alertar seus usuários quando há um caso de coronavírus a 100 metros de onde se encontram.

No que tange ao setor governamental, os alertas pelos celulares possuem um papel central. Após o resultado de um teste positivo para o coronavírus, o governo sul-coreano automaticamente envia alertas, por meio de mensagens de celular, para pessoas que estejam na região, revelando o gênero e a idade do indivíduo infectado, além de informações acerca dos locais que a pessoa visitou.

Ainda no âmbito da atuação governamental, um dos requisitos para pessoas que estão chegando da Europa ou dos Estados Unidos entrarem na Coreia do Sul é a instalação do aplicativo "self-quarantine safety protection". Esse aplicativo monitora, por meio do sistema GPS, o cumprimento das duas semanas de isolamento social, que é uma medida obrigatória para quem chega em território sul-coreano.

Finalmente, com base nos dados e considerações expostas, pode-se concluir que o uso de tecnologia e a testagem em massa foram medidas centrais no combate à pandemia do coronavírus na Coreia do Sul. Os esforços de combate provêm do governo e, também, das medidas tomadas pela Sociedade Civil e pelo setor privado.