A COVID-19 e o Negacionismo

23/04/2020

Líderes de diferentes países, sendo da direita ou da esquerda, negam-se a aceitar os efeitos da COVID-19?

Bolsonaro e López Obrador, presidente mexicano, foram comparados inúmeras vezes pela grande imprensa internacional, como The Economist e The New York Times. Segundo esses meios de comunicação, ambos adotam um discurso contrário ao que seus Ministros da Saúde defendem, negando, por vezes, a gravidade dos efeitos da Covid-19. O equivalente ao Ministério da Saúde mexicano adotou medidas de reclusão, enquanto, por muito tempo, Obrador reduziu a gravidade da doença, situação semelhante à intrincada relação entre Bolsonaro e Mandetta entre nós.

A despeito da pauta política desses presidentes - que, por sinal, é diametralmente oposta, sendo Bolsonaro identificado como expoente da direita e o presidente mexicano, da esquerda - o discurso deles possui um denominador comum: prevenir um possível desastre econômico que destruiria o sistema financeiro nacional no cenário pós pandêmico.

Essa tese, no entanto, é controvertida. Estudos do MIT (Massachusetts Institute of Technology), em parceria com o FED (Sistema de Reserva Federal dos EUA), compararam a crise da Covid-19 com a pandemia provocada pela gripe espanhola entre 1918 e 1920. Analisando a conduta dos EUA, a universidade americana chegou à conclusão de que os estados que tardaram a adotar medidas de isolamento social recuperaram-se de forma mais lenta após a crise, e o crescimento econômico foi desacelerado.

É evidente que a reclusão não é benefício econômico algum, mas, de acordo com os dados fornecidos pela universidade, tardar em adotá-la é mais prejudicial que benéfico. Isso porque, conforme a pesquisa, a reclusão contribui para reduzir o índice de mortalidade e para o aumento do número de empregos após a pandemia.

Nesse sentido, López Obrador e Bolsonaro não erram ao afirmar que haverá prejuízos econômicos derivados da reclusão. Segundo o MIT, contudo, procrastinar a quarentena pode ser uma alternativa economicamente ineficiente. As variáveis a serem consideradas são muitas e as decisões a serem tomadas contra o novo coronavírus são objeto debate no mundo inteiro. Fato é que, à esquerda ou à direita, a negação aos efeitos da doença não é privilégio de apenas um espectro político.


Luísa Almeida

Estudante de Direito na FGV/Direito Rio.