Desigualdade social e a COVID-19

12/04/2020

Os primeiros dias de 2020 já enunciaram uma ameaça invisível e letal a ser enfrentada por todo o planeta: a Covid-19. Com o aumento vertiginoso do número de casos, diversos países passaram a implementar medidas de isolamento social, dependendo da colaboração de toda a população para a sua efetividade. Contudo, o que antes parecia uma luta única e conjunta, hoje revela-se uma triste realidade: o preço da proteção não é o mesmo para diferentes grupos da sociedade.

Na Índia, milhares de trabalhadores informais desesperam-se com a falta de renda imposta pela quarentena, fazendo com que pequenos grupos ainda se arrisquem nas ruas em busca de algo. Em diferentes países, os grupos marginalizados apresentam maior vulnerabilidade aos impactos.

Em Nova York, Estados Unidos, os efeitos da pandemia se revelam mais árduos para determinados grupos étnicos. Na cidade americana, apesar de os latinos serem 29% da população, eles correspondem a 34% do número total de mortes, aponta estudo. Parte dessa população desempenha serviços de entrega, faxina, dentre outros, e não pode deixar de trabalhar, tornando-se ainda mais suscetíveis aos efeitos do vírus.

A pergunta que surge, então, é: como reduzir os efeitos da marginalização?

No Brasil, onde a situação da população de baixa renda também preocupa, trabalhadores informais e microempreendedores, receberão um auxílio emergencial em dinheiro do governo. Na Índia, medida similar está em vias de implementação, apesar dos problemas operacionais inerentes a um país desigual e populoso. Na China, foram registradas ondas de doações para distribuir recursos de proteção à trabalhadores carentes do meio urbano e de vilarejos rurais.

Embora a pergunta seja intuitiva, a resposta não possui a mesma clareza. Os países, seja pelo governo ou pela sociedade civil, apresentam diferentes formas para auxiliar os mais vulneráveis em alguma medida. O cenário de pandemia exacerba dificuldades já existentes, chamando atenção para uma luta antiga e por vezes negligenciada.

Após a pandemia, será a hora de lidar de forma enérgica com os causadores da desigualdade social?


Isa Mota

Estudante de Direito na FGV/Direito Rio.