Inovação Durante a Pandemia

09/05/2020

De fato, importa?

A crise da Covid-19 tem estremecido a forma de se pensar a vida no século XXI. Aumento no número de compras on-line, aplicativos que rastreiam o contágio, e impressoras 3D produzindo máscaras de proteção facial. A inovação e tecnologia parecem aliadas indispensáveis ao enfrentamento da pandemia, sem as quais os efeitos do novo coronavírus seriam ainda mais catastróficos. Nesse contexto, questiona-se: até que ponto a inovação é eficaz na luta contra a Covid-19?

Não é a primeira vez que que crises mundiais causam grande impacto na forma como enxergamos o mundo. No campo econômico, por exemplo, a SARS 3, ocorrida em 2003 na China, aumentou drasticamente a adoção de shoppings online no país asiático, mitingando certos efeitos da doença sobre a economia, segundo análise da Boston Consulting Group.

Já na pandemia atual, o ex-head de marketing da tech chinesa Baidu, Felipe Zmoginski, afirma que a inovação permitiu que a China lidasse melhor no combate ao Sars-CoV-2, por diversos motivos. Dentre eles, destacam-se: o fato de possuir um grande serviço de telemedicina; infraestrutura logística capaz de responder rapidamente aos efeitos da crise; capacidade de ofertar compras através de mobile payment; utilização de robôs em tarefas com risco de contágio e drones para desinfentação de vias públicas.

Segundo o MIT Technology Review, contudo, a pandemia mostrou as limitações da inovação e o fato de os países não estarem preparados para responder de maneira eficaz aos impactos da crise. À título de exemplo, os EUA, berço de práticas inovadoras e sede das maiores empresas high tech do mundo, é um dos países mais afetados pela pandemia.

Os reflexos causados na economia devido ao vírus já podem ser vistos, diversas mudanças na indústria e sociedade vêm sendo discutidas. Segundo a consultoria Bain e Company, deve ocorrer um grande desenvolvimento futuro no setor de saúde, enquanto o Government Excutive Daily propõe que sejam realizadas modernizações na legislação.

Tais posturas revelam limites da tecnologia e inovação. Ainda que ferrentas excelentes no combate às situações de crises pandêmicas, elas, per se, de pouco ou nada servem se não bem utilizadas. Como meros instrumentos, ficam a mercê de questões políticas, econômicas e sociais.


Renata Dotta

Estudante de Direito na FGV/Direito Rio.