Israel

27/04/2020

No dia 27 de abril de 2020, Israel contabilizava 15.555 casos de Covid-19 em seu território. O primeiro caso diagnosticado, no final de fevereiro, foi o de um indivíduo que se contaminara a bordo de um navio japonês. Assim, adotou-se como medida emergencial a decretação da quarentena de 14 dias a quem chegasse da Coreia do Sul ou do Japão, sendo proibido, igualmente, o regresso de indivíduos desses dois países durante o mesmo período.

Após o fracasso em conter a propagação do coronavírus no primeiro momento, o Estado de Israel implementou um conjunto de medidas para pôr um fim à crise. O caminho encontrado foi tratar a pandemia de forma semelhante a um cenário de guerra, utilizando o aparato de defesa e segurança estatal na linha de frente junto aos profissionais de saúde.

Uma política de isolamento social foi estabelecida e aulas presenciais em toda rede de ensino foram suspensas, instituindo-se a modalidade de ensino à distância. O Ministério da Educação, logo, tratou de disponibilizar materiais de estudo em hebraico e árabe em seu website.

Paralelamente, regulamentações de emergência foram aprovadas, permitindo que o serviço de inteligência ShinBet rastreasse possíveis indivíduos contaminados pelo coronavírus, usando dados pessoais de cidadãos israelenses. Esse procedimento, utilizado no combate ao terrorismo, fora adaptado para auxiliar na contenção do número de infectados pela pandemia. Contudo, em abril, o Parlamento mudou de posicionamento na proposta de regulamentação, em lei, das medidas de vigilância, suspendendo a tramitação de projeto de lei que autorizava o rastreamento do celular de pessoas contaminadas pelo coronavírus. A Suprema Corte de Israel, quando provocada, posicionou-se favoravelmente à possibilidade de implementação dessas medidas de vigilância, mas desde que fossem regulamentadas em lei. O status de "National State Emergency" foi declarado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, sendo que o descumprimento das medidas de isolamento sujeitaria o infrator ao pagamento de multa. O uso de máscaras nas ruas passou a ser obrigatório e a circulação ficou restrita, tão somente, à utilização de serviços essenciais, tais como: farmácias, supermercados e bancos.

A agência de inteligência do governo, Mossad, foi convocada para a missão de abastecimento de equipamentos médicos indispensáveis ao tratamento dos infectados por Covid-19 no sistema de saúde público. A corrida global em torno desses materiais hospitalares culminou em uma disputa silenciosa e, até mesmo, em atos de pirataria entre diferentes Estados na busca por fornecedores que, de uma hora para outra, tornaram-se valiosos. Assim, coube ao Mossad encontrá-los, intermediar a compra e garantir a entrega dos equipamentos.     

(Vista aérea de Tel Aviv, na costa do país)
(Vista aérea de Tel Aviv, na costa do país)

Concomitantemente às medidas mais ostensivas de combate à pandemia, um plano de retomada gradual das atividades econômicas foi apresentado, sendo pré-requisito básico ao cumprimento das diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde. As novas medidas incluíam: a possibilidade do aumento da força de trabalho no setor privado para 30%; a reabertura parcial de lojas; e a permissão para o setor de alta tecnologia ampliar suas atividades. O Ministério da Educação também apresentou um plano de retomada das aulas no país para o mês de maio, após um período de suspensão das aulas presenciais. Para o setor aéreo, todavia, a normalização das atividades foi prevista somente para o mês de setembro.

Em relação às medidas econômicas adotadas, o Parlamento aprovou lei orçamentária, estipulando quantia de 80 bilhões de shekels (US$ 22 bilhões) destinada à adoção das medidas necessárias ao combate da pandemia. Ainda em abril, um pacote de medidas emergenciais foi aprovado para apoiar trabalhadores autônomos e pequenas empresas atingidas pela crise do coronavírus. Segundo o plano, a quantia de 8 bilhões de shekels (US$ 2,27 bilhões) foi destinada aos agentes econômicos privados de modo proporcional às suas perdas, sendo o teto equivalente a US$ 113.000 por empresa. Israelenses independentes podem solicitar um subsídio estatal de até 70% de seu salário, até 10.500 shekels (US$ 3.000). Além disso, o governo também renovou a decisão de apoiar pessoas com mais de 67 anos que perderam o emprego, concedendo-lhes um auxílio de, aproximadamente, US$ 1.130 dólares.

Durante todo esse período, Israel passou por uma crise de governabilidade. Foram 3 eleições sem conseguir formar um governo de coalizão. Contudo, neste momento, Benjamin Netanyahu e Benny Grantz conseguiram chegar a um acordo para formar a unidade do governo no Parlamento.

As universidades e os institutos de pesquisa despontaram, em meados de março, com potenciais soluções de combate ao coronavírus, listando-se: (i) o desenvolvimento de vacina contra a covid-19 que estará pronta para testes em algumas semanas; (ii) o desenvolvimento de telemedicina para tratar vítimas da covid-19 à distância, protegendo os profissionais de saúde; (iii) a criação de um método para monitorar, identificar e prever as zonas de disseminação do novo coronavírus com base em big data e Inteligência Artificial; e (iv) o desenvolvimento de uma nova metodologia, mais rápida e eficiente, de testes e identificação de indivíduos contaminados pelo coronavírus;

No âmbito da iniciativa privada, diferentes projetos estão surgindo para combater a pandemia: (i) proliferação de diversas "healthtechs", startups que atuam na área médico-hospitalar com grande potencial de acelerar o tratamento, a cura e a contenção dos casos de covid-19; e (ii) criação de fundo de investimento para patrocinar startups que apresentarem o potencial de prosperarem após a crise.

A Sociedade Civil também apresentou várias iniciativas nesses últimos meses. Organizações não-governamentais mobilizaram-se para pedir ao governo uma resposta econômica efetiva para manter o setor alimentício produzindo e abastecendo as grandes cidades. A maior parte das organizações, entretanto, engajou-se ativamente em iniciativas de caráter filantrópico e solidário como: (i) distribuição de bens essenciais (alimentos, remédios e materiais de higiene e limpeza), sobretudo, aos grupos de risco para que não tenham que sair de casa; (ii) divulgação de informações relevantes sobre direitos dos cidadãos israelenses; (iii) produção de equipamentos médicos (makers); (iv) doações realizadas por israelenses e judeus de todas as partes do mundo para subsidiar os custos hospitalares e o trabalho de organizações não-governamentais; (v) criação de uma "hotline" para amparar pessoas que estejam passando por momentos de estresse e crise emocional; (vi) ensino à distância; (vii) hackathons para encontrar novas soluções para os diferentes problemas que surgiram durante o período de isolamento social.

Em suma, Israel utilizou seu aparato de segurança e defesa para apoiar o trabalho dos profissionais da saúde com todos os recursos e ações cabíveis. No plano econômico, o governo liberou um pacote de medidas para subsidiar empresas, trabalhadores e desempregados, permitindo o prolongamento das medidas de isolamento social. O país, neste momento, está preparando a retomada gradual das atividades coletivas paralisadas. As universidades e a iniciativa privada estão trabalhando na busca por uma nova vacina e por novos tratamentos para pessoas infectadas pelo vírus. Por fim, a Sociedade Civil não mediu esforços na tentativa de mitigar os efeitos da pandemia por meio de ações solidárias.