Lar de Idosos: o Epicentro da COVID-19

13/05/2020

Lares de idosos mundo afora têm sido considerados verdadeiros epicentros das mortes por Covid-19. Em países como França e Irlanda, metade das mortes pelo vírus ocorreram em tais ambientes. Conforme a entidade americana CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças - tradução livre para "Centers for Disease Control and Prevention" ), a taxa de mortalidade de indivíduos acima de 70 anos varia entre os espantosos 6,2% e 20,2%, em países Itália, China, Espanha e Coréia do Sul. Taxa essa muito diferente dos 0,1% a 0,3% quando observados indivíduos entre 30 a 49 anos de idade, o que faz soar um alerta quanto aos cuidados específicos que devem ser destinados a essa parcela da população.

Desde o início da pandemia, os idosos têm sido eleitos uma variável decisiva para se pensar estratégias de contenção à Covid-19 e suas mortes - a exemplo da sempre controversa e recorrente opção por isolamento vertical a despeito do horizontal. Ainda assim, os asilos, locais de concentração de população idosa, nem sempre encontram lugar meio a formulação de políticas públicas contra o novo coronavírus.

O Brasil, paulatinamente, começa a notar os efeitos da doença sobre os lares de idosos. Em São Paulo, epicentro da pandemia no país, cidades do interior do estado já vêm vivenciando a gravidade da situação. Hortolândia, por exemplo, com 79 casos notificados até o momento, conta com 10 mortes causadas pela Covid-19, 6 delas ocorridas em um mesmo asilo. Em Piracicaba, paralelamente, em uma instituição lar de 74 idosos, registram-se 49 testes positivos para a doença, com 8 mortes ocorridas entre 23 de abril e 1° de maio.

Enquanto isso, países ao redor do globo adotam medidas para evitar a contaminação nesses ambientes. Na China, robôs auxiliam idosos nos asilos, reduzindo o risco de contaminação. Nos EUA, o CDC determinou uma série de medidas a serem adotadas, como o uso obrigatório de máscaras por visitantes e residentes. Na Europa, a Alemanha planeja proibir provisoriamente o recebimento de visitas em tais locais.

Apesar da preocupação internacional, os estados brasileiros, assim como a própria União, vem adotando uma postura tímida, ou mesmo inexistente frente ao problema. Os dados alarmantes ao redor do globo não têm ecoado no campo político, levantando dúvidas quanto à capacidade brasileira em lidar com a situação quando ela se instaurar. Ao procrastinar, passivamente, a implementação de medidas profiláticas, o país revela mais uma vez certa inabilidade em gerenciar a crise, deixando de aplicar boas práticas já adotadas em outros lugares do mundo, e ignorando a gravidade da situação


Luísa Gouveia

Estudante de Direito na FGV/DireitoRio.