México

27/04/2020

O México, diante do cenário de alastramento da Covid-19 ao redor do mundo, manteve um discurso primordialmente negacionista em relação aos efeitos graves que a doença traria ao país. O Presidente Andrés Manuel López Obrador, durante o início das infecções no México no dia 28 de fevereiro de 2020, manteve postura diversa da grande maioria dos países atingidos pelo vírus, recomendando à população que seguisse sua vida normalmente, sem grandes preocupações quanto à doença, em nome de uma alegada necessidade em se manter a economia aquecida.

A partir do mês de março, meio a uma explosão no número de infectados, o Poder Executivo mexicano passou a empregar ações que, por vezes, contrariavam a perspectiva do próprio Presidente do país. Além disso, de maneira autônoma, os próprios estados passaram a adotar medidas de reclusão, com o cancelamento de aulas presenciais de universidades, como a UNAM, e o adiamento de eventos, em meados de março.

Após advertências da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a declaração do início da fase 2 da pandemia (quando mais de 5 pessoas são infectadas sem que se identifique a fonte de contaminação), no dia 23 de março de 2020, o Governo iniciou, paulatinamente, um tratamento similar aos outros países quanto à Covid-19, assumindo o isolamento social. Hoje, contudo, no dia 27 de abril de 2020, identifica-se um aumento expressivo no número de contaminados, com um total de 15.529 casos testados positivos e 1.434 mortes confirmadasDiante deste cenário, não apenas o poder público, mas também o setor privado e a Sociedade Civil vem implementando uma série de medidas no país contra o alastramento cada vez maior do novo coronavírus.

Dentre as medidas apresentados pelo Governo Federal mexicano, destaca-se a Jornada Nacional da Sana Distancia, pacote de propostas chamado introduzido no dia 18 de março de 2020 por força do Poder Executivo que conta com uma série de medidas de isolamento e prevenção a serem acatadas pelos estados do país.

O Estado mexicano ainda disponibilizou o aplicativo COVID-19MX para que os cidadãos pudessem inteirar-se de maneira prática e fácil sobre a Covid-19. O aplicativo é uma fonte de informações disponibilizadas pelo Governo Federal, que objetiva conscientizar os indivíduos acerca dos meios de transmissão, prevenção e sobre os sintomas da doença. 

(Templo de Kukulcán, na antiga cidade Maia de Chichén Itzá, no México)
(Templo de Kukulcán, na antiga cidade Maia de Chichén Itzá, no México)

Com a aceitação de AMLO quanto à urgência em se combater a pandemia, mais medidas passaram a ser impulsionadas pelo Governo Federal. Inicialmente, negociou com Donald Trump a restrição da passagem de indivíduos pela fronteira com americana, permitindo apenas aqueles necessários a atividades essenciais.

Ademais, o Governo contratou 3 mil médicos para atender às demandas do país, disponibilizou 2 milhões em crédito para impulsionar a atividade empresária, garantiu mais equipamentos sanitários aos policiais e determinou um estímulo de aumento de 20% do salário até o fim da crise pandêmica aos médicos do Instituto Mexicano del Seguro Social (IMSS) que se dispusessem a atender pacientes infectados. O Governo, ainda, em parceria com a iniciativa privada, promoveu acordo que garante o aumento de vagas no setor público àqueles infectados pela Covid-19.

Paralelos ao governo central, os estados vêm adotando medidas locais para evitar a disseminação do vírus. Yucatán, por exemplo, endureceu as penas estipuladas àqueles que desrespeitassem a quarentena para 3 anos de reclusão, com o objetivo de desincentivar práticas que fossem contrárias à proposta de reclusão.

Para além do setor público, a Sociedade Civil também vem apresentando iniciativas com o intuito de reduzir os impactos negativos da doença. Membros da Sociedade Civil organizada: abriram refeitórios clericais para garantir alimento e roupas aos migrantes e moradores de rua, distribuíram água, artigos de higiene e informação e uniram-se em plataformas online para divulgar informações sobre locais em que há muitos indivíduos que necessitam de doações.

No campo da inovação e tecnologia, um grupo de empreendedores, conhecidos como Makers Mexico, reuniu-se com o intuito de imprimir equipamentos necessários aos hospitais para lidar com a Covid-19 por meio de impressoras 3D. Esses equipamentos são distribuídos pelos médicos aos hospitais públicos, visando a aumentar a qualidade de atendimento e prevenir a contaminação dos médicos.

Ainda parte da Sociedade Civil, um grupo de médicos inova ao tentar identificar um padrão nas imagens das radiografias dos pacientes enfermos, com o fito de acelerar o processo de diagnóstico da doença; com esse padrão, os médicos procuram desenvolver um código, mediante inteligência artificial, capaz de perceber os indivíduos provavelmente infectados pelo vírus, tornando mais célere e eficiente o diagnóstico de pacientes.

A iniciativa privada, a seu turno, vem atuando em várias frentes no México. A título de exemplo, a produção de uma cápsula especializada para carregar enfermos no trajeto até os hospitais já é adotada em diversos estados mexicanos e partiu de uma iniciativa do setor privado. Paralelamente, muitas empresas e representantes do setor empresarial são responsáveis por realizar doações a hospitais ou a famílias no país. Além disso, a iniciativa privada mexicana é responsável pela criação de um site que busca informar e filtrar fakenews acerca da Covid-19, ainda que a nível estadual.

Percebe-se, portanto, que há um esforço coletivo no México para conter e atenuar possíveis prejuízos causados pela Covid-19. Seja por iniciativa do Estado, da Sociedade Civil ou de representante da iniciativa privada, medidas vêm sendo tomadas em diferentes âmbitos, a despeito do negacionismo inicial do Chefe do Executivo Nacional (AMLO).