Nova Zelândia

27/04/2020

A Nova Zelândia detectou seu 1º caso do novo coronavírus no dia 28 de fevereiro. Em 27 de abril de 2020, 58 dias depois, o país contabilizava 1.472 casos testados positivos para Covid-19, dos quais 19 haviam falecidos.

Em 15 de março, as autoridades neozelandesas passaram a obrigar uma quarentena obrigatória a todos aqueles que chegavam ao país. No dia 23 de março, então com 100 testes positivos para Covid-19, o governo anunciou severas medidas de distanciamento social. Dois dias depois, dia 25, o Estado neozelandês declarou estado de emergência (tradução livre para Civil Defence and Emergency Management Act - CDMA), restringindo ainda mais o controle sobre a população.

A despeito de inúmeras críticas, referida medida atribuiu amplos poderes ao Estado, concedendo às forças policiais neozelandesas extensa discricionariedade quanto à decisão sobre como levar o distanciamento social a cabo. A título de exemplo, os oficiais do país podiam entrar nas casas dos cidadãos a fim de averiguar possíveis festas, ainda que não munidos de um respectivo mandado judicial.

Paralelo às medidas governamentais, a Nova Zelândia mantém a população informada através da mídias e sites oficiais. Com publicações diárias, os neozelandeses gozam de um canal direto com o governo, constantemente cientificados sobre a real situação do país.

Consoante à ideia de valer-se da informação como instrumento de combate à epidemia, as autoridades da Nova Zelândia anunciaram, no dia 27 de abril, que lançarão um aplicativo de rastreamento de contato com infectados com Sars-CoV-2 dentro de duas semanas. Assim como realizado na vizinha Austrália com o app COVIDSafe, o governo neozelandês pretende informar a seus cidadãos se estiveram próximos a alguém infectado pela doença. Baseado no software Tracetogether, de Singapura, o aplicativo vale-se de conexões bluetooth entre celulares para o fornecimento de dados.

As medidas de contenção à crise econômica que se instaura também são numerosas. Dentre as determinações proferidas pelo Ministério de Negócios, Inovação e Emprego (tradução livre para "Ministry of Business, Innovation & Employment"), destacam-se: a criação de linha de crédito de 6.25 bilhão de dólares neozelandeses especialmente para pequenas e médias empresas; auxílio na liquidez de empresas afetadas pela Covid-19 para evitar cenários de insolvência e a disponibilização de subsídios salariais tanto para empregadores, quanto para autônomos e empregados.

(Montanhas na Ilha Sul, Nova Zelândia)
(Montanhas na Ilha Sul, Nova Zelândia)

Concorde à efetiva mobilização governamental na luta contra a pandemia, a Sociedade Civil neozelandesa também tem colaborado e implementado algumas iniciativas autônomas de combate. Mediante o gerenciamento do organização Exército da Salvação, o projeto Foodbank, por exemplo, já arrecadou mais de 850 mil dólares neozelandeses a serem distribuídos em comida a indivíduos em situação de vulnerabilidade. A plataforma Volunteer Wellington, a seu turno, permite que interessados se cadastrem para agir voluntariamente em diferentes campos.

Mais do que medidas contra a Covid-19 em si, a Sociedade Civil do país, unida ao governo, tem se preocupado com o impacto da crise sobre os trabalhos de caridade e organizações sem fins lucrativos já existentes - severamente impactados pelos lockdowns. O grupo Philanthropy New Zealand, grupo de filantropia formado por empresas, bancos e pessoas físicas, tem constantemente mobilizado meios para aliviar os desfalques que tais organizações vêm sofrendo nestes períodos de pandemia. O próprio governo da Nova Zelândia mantém site oficial com informações sobre como doar a instituições de caridade, sobretudo em tempos de Covid-19.

A iniciativa privada, por sua vez, tem agido fora e dentro do país. As franquias Subway neozelandesas, por exemplo, doaram 17 toneladas de produtos frescos, tais como tomates, alfaces e cenouras, para organizações de caridade no arquipélago.

O setor de entregas é outro que tem revisto sua postura. Seja por força do mercado, seja por política empresarial, a Delivereasytem oferecido uma taxa muito menor do que antigos e conhecidos players como a UberEats, que costumam cobrar uma comissão em média de 32% do pedido, para que estabelecimentos menores tenham seus prejuízos mitigados. No entanto, a UberEats doou 5 milhões de dólares neozelandeses para pequenos estabelecimentos na Austrália e Nova Zelândia, e implementou uma isenção da taxa de adesão, até o início de maio, para estabelecimentos que desejam utilizar sua plataforma de delivery.

Para além de suas ilhas, empresas neozelandesas realizaram doações para a China. A exportadora de frutas Mr. Apple doou mil caixas de maçã a hospitais em Wuhan. Na mesma direção, as companhias Zespri, T&G e Rockit doaram 2 900 caixas de frutas para hospital de Shenzhen, também na China.

Referidas iniciativas, tomadas tanto pelo governo, quanto pela Sociedade Civil e iniciativa privada revelam uma ação conjunta, ora coordenada, ora autônoma, da Nova Zelândia para converter a crise instaurada pelo Sars-CoV-2. Salienta-se, contudo, a presença uma forte interferência estatal no país, e o questionamento se tais medidas podem ser replicadas em demais contextos.