Reino Unido

27/04/2020

No dia 27 de abril de 2020, às 9h, o Reino Unido já havia testado 569.786 pessoas, das quais 158.348 obtiveram resultado positivo (27,8% dos testados). O país contabilizava 21.092 vítimas fatais, com uma taxa de 305,39 mortes por milhão de habitantes. Dez dias antes, no dia 17 de abril de 2020, às 9h00, o Reino Unido havia realizado 341.551 testes, contabilizando 108.692 cidadãos infectados (31,82% dos testados) e 14.576 mortes, com 847 vítimas fatais apenas no dia 16 de abril de 2020. Analisando os dados dos últimos 10 dias, o Reino Unido teve uma média de 22.823 pessoas testadas e aproximadamente 651 mortes por dia. O país teve seu primeiro caso confirmado no final de janeiro, mas só iniciou o Lockdown no dia 23 de março.

No âmbito governamental, as medidas são, em sua maioria, conservadoras e replicam políticas que vêm sendo adotadas pela maioria das potências afetadas. Medidas econômicas e fiscais preponderam sobre outros tipos de iniciativas, das quais estão presentes: a flexibilização orçamentária, a redução das taxas de juros, empréstimos facilitados, auxílios financeiros emergenciais para empresas e civis, etc.

Destacam-se certas medidas, tais como: o Contact Tracing Programme, que visa identificar as pessoas que foram infectadas recentemente e avisar aqueles com quem entraram em contato através de um aplicativo, imitando os modelos bem-sucedidos da Coréia do Sul e de Singapura; o Ventilator Challenge, um apelo feito pelo Primeiro Ministro britânico para que as empresas privadas ajudem a fabricar e projetar respiradores, apelo que rendeu mais de 5 mil ofertas de apoio; os chamados do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS), que já recrutaram mais de 750 mil pessoas para os grupos de "mutual aids" espalhados pelo país; e a abertura de um canal direto para que empresas privadas de qualquer natureza possam oferecer seus serviços para o governo. Ademais, com a recente construção de novos hospitais - os chamados Nightingales- o país desfruta de leitos disponíveis para o tratamento dos infectados, com hospitais vazios, sem previsão de sobrecarregamento do NHS mesmo com o alto número de contágio. Outro destaque é a parceria do governo britânico com empresas privadas para a produção de EPIs, insumos de higiene pessoal e, principalmente, kits de testagem a fim de atingir a meta prometida de 100 mil novos testes por dia. Também há a previsão de mudanças temporárias nas leis de insolvência, que serão votadas em breve pelo parlamento britânico, e visam evitar a responsabilização pessoal dos sócios que contraem empréstimos com o objetivo de salvar suas empresas da crise provocada pela pandemia e de uma eventual falência.

(Relógio do Big Ben, com Palácio de Westminster ao fundo, em Londres)
(Relógio do Big Ben, com Palácio de Westminster ao fundo, em Londres)

Já na Sociedade Civil, as iniciativas são diversas e preponderam as doações e a atividade de grupos de ajuda mútua - algumas plataformas virtuais foram criadas para coordenar e organizar as atividades de forma mais eficiente, que tiveram uma adesão em massa pelo país. O destaque fica para algumas medidas diferenciadas que, no geral, envolveram aplicação de conhecimentos tecnológicos: a criação de um aplicativo que está sendo amplamente utilizado pelos britânicos (o Covid Symptom Tracker) que, além de rastrear os sintomas da Covid-19 através de questionários, cria uma base de dados sobre possíveis casos no país e fornece uma variedade de outras informações e indicações compiladas; já o "Code4COVID.org" reúne uma série de grassroots UK tech initiativesque objetivam recrutar especialistas em tecnologia voluntários para ajudar em iniciativas contra a Covid-19, concedendo-lhes suporte tecnológico; o COVID-19 Response é uma força tarefa de pesquisadores, acadêmicos, empreendedores, cientistas e investidores que solicitam ideias para combater o Sars-CoV-2, criando um espaço aberto para que essas ideias sejam examinadas e depois levantadas para financiamento público e privado; por último, o Covid Tech Handbook é uma biblioteca de crowdsourcing para especialistas que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus, visando evitar o desperdício de energia na solução individual de problemas, com especialistas compartilhando práticas e experiências que já foram bem sucedidas em diversos lugares do mundo.

Um grupo da universidade de Oxford e da Imperial College London já está realizando testes de uma potencial vacina contra a Covid-19, sendo o primeiro teste em humanos da Europa. O desenvolvimento durou cerca de 3 meses e a professora líder das pesquisas pré-clínicas diz-se extremamente confiante na eficácia da vacina em humanos. O grupo - que já desenvolveu uma vacina contra a Mers (outro tipo de coronavírus) com uma metodologia semelhante - conta com um apoio de 42,5 milhões de libras em financiamento do governo britânico e mais de 800 pessoas recrutadas para os estudos.

Enquanto o número de casos crescia abruptamente, a falta de ação do governo britânico e do primeiro ministro Boris Johnson era intensamente criticada por parcela da população e por algumas instituições que enxergavam com preocupação o cenário de alguns países europeus. Especialistas consideram que o Reino Unido demorou para tomar as primeiras iniciativas contra a pandemia, principalmente no âmbito do isolamento social.

O país conta com um sistema de saúde integrado chamado de National Health Service/Serviço Nacional de Saúde (NHS), que conseguiu suportar a inação inicial do governo britânico de maneira exemplar. O secretário de saúde do Reino Unido, Matt Hancock, alegou que o país já atingiu o pico da curva que representa o número de novos casos diários, mas os últimos dados são preocupantes, com o Reino Unido tendo o maior número de novos casos e de mortes por dia da Europa, assustando líderes de outros países do continente, apesar dos indícios iniciais do "achatamento" da curva.

O país tem a meta de produzir 100 mil testes por dia, número que, até o dia 26 de abril de 2020, estava em 37.024. Em suma, o Reino Unido conta com ampla e extensa participação da Sociedade Civil, além de um elevado número de medidas governamentais para combater o novo coronavírus, atuando em diversas frentes com o objetivo de frear o aumento do número de casos e de mortes, além de ensejar a mitigação dos danos econômicos e garantir o abastecimento de insumos hospitalares e de higiene pessoal. No dia 28 de abril, o governo manifestou-se dizendo que o Lockdown permanecerá por, pelo menos, mais 3 meses.