Suécia

27/04/2020

No dia 27 de abril de 2020, a Suécia registrava 18.926 testes positivos para Covid-19, sendo 1.005 casos recuperados e 2.274 casos fatais. A capital Estocolmo mostrava-se como a cidade sueca mais atingida pela doença, com um total de 7.378 casos. O país, desde o início da pandemia, tem chamado a atenção da mídia internacional, sendo alvo de críticas internas e externas, por optar em não realizar um lockdown nos mesmos parâmetros adotados pela maior parte do mundo desenvolvido.

Comparada aos demais vizinhos escandinavos, a Suécia adotou medidas menos restritivas, transferindo parte da responsabilidade de contenção aos próprios cidadãos mediante recomendações das autoridades de saúde. Dentre as medidas governamentais propostas, destacam-se: evitar viagens não essenciais, realização de home office, quando possível, e permanecer em casa em caso de doença quando maior de 70 anos e acionar o serviços público de saúde.

As medidas, entretanto, parecem ter surtido efeitos perversos, a Suécia apresenta a mais alta taxa de letalidade entre os países nórdicos. No dia 22 de abril, o país escandinavo ocupava a 10ª posição mundial quanto à taxa de letalidade, se considerados os valores nominais, apresentando a cifra de 17,3 mortos a cada 100 mil habitantes. Comparada com os vizinhos, tais números soam ainda mais alarmantes: Dinamarca, Noruega e Finlândia ocupavam as 17ª, 22ª e 31ª posições com 6,4; 3,4 e 2,6 mortes por 100.000 mil habitantes, respectivamente.

Diante de tais cifras, no dia 11 de março, o governo sueco decretou que as aglomerações no país não poderiam exceder 500 pessoas, reduzindo tal número para 50 somente no dia 29 de março.

Segundo o governo sueco, no início de maio, um terço da população da capital Estocolmo teria contraído o Sars-CoV-2, ajudando na chamada "Flockimmunitet" - imunidade de rebanho.

Ainda assim, a despeito das medidas menos restritivas, estatísticas indicam que cerca da metade dos suecos optaram por trabalhar em home office. Além do mais, o uso de transportes públicos caiu 50% em Estocolmo e as ruas da capital tiveram uma redução de 70% em seu movimento habitual.

Na Suécia, o comércio não foi fechado e a população ainda pode ir às compras, sair para restaurantes, bares e academias, ainda que tenham de respeitar certos guias de conduta- tais como a distância entre pessoas a depender do local em que se encontram. Ainda assim, mesmo sem decretar isolamento social total, o governo propôs pacotes de apoio de mais de 100 bilhões de coroas suecas para mitigar a crise econômica gerada pela pandemia, estabelecendo medidas que priorizam a sobrevivência das empresas suecas e o combate ao desemprego.

(Vista do centro de Estocolmo, capital da Suécia)
(Vista do centro de Estocolmo, capital da Suécia)

O posicionamento do governo, entretanto, tem sido alvo de críticas por parte da Sociedade Civil. Além de cientistas, pais de alunos suecos também apresentaram dúvidas em relação ao posicionamento do país, e indagações frente a uma postura menos restritiva do governo. Diante desse contexto, familiares e mais de 900 professores e funcionários de escolas escreveram cartas abertas classificando como inaceitável a política estatal de manter o funcionamento normal das escolas. Segundo eles, as escolas não têm capacidade de se adaptar às práticas de distanciamento exigidas e põem em risco a vida de crianças, parentes e funcionários.

Em relação a tais críticas, Anders Tegnell, autoridade sueca de Saúde Pública, afirmou que a estratégia do país foi bem desenvolvida. Na opinião de Tegnell, o lockdown pode não ter impacto significativo em salvar vidas, devido ao fato de cerca de 50% das mortes ocasionadas por coronavírus na Suécia ocorrerem em asilos, locais em que as visitas já haviam sido proibidas.

Diante desse cenário, as iniciativas no país nórdico parecem ser mais tímidas do que aquelas tomadas no restante do planeta. Além das diversas críticas que parte dos suecos têm direcionado ao governo, contudo, algumas instituições têm se organizado para lutar contra a Covid-19. A Radiohjälpen, organização de caridade ligada ao setor público, recebeu milhões de coroas suecas da empresa finlandesa Kiilto a serem utilizadas em ações de auxílio às pessoas mais vulneráveis ao novo coronavírus, como idosos, refugiados e sem-tetos.

Já no âmbito da iniciativa privada, a famosa IKEA doou 50 mil máscaras encontradas em seu estoque para um hospital do país, enquanto a também sueca H&M doou USD 500.000 para o fundo "Covid-19 Solidarity Response Fund" ligado à OMS. Ressalta-se, contudo, que a doação realizada pela H&M não tem como escopo a Suécia, e sim países em desenvolvimento, conforme estabelece a própria Organização Mundial da Saúde.

Por fim, chama a atenção iniciativa estatal em tentar aliviar o cenário de perdas por que passa a companhia aérea multinacional Scandinavian Airlines (SAS) em virtude da pandemia. A fim de sanar o desemprego imposto ao setor aéreo, o governo empregou grande parte dos 11 mil funcionários temporariamente afastados pela empresa, treinando-os e alocando-os no setor de saúde. Essa ação foi extremamente divulgada no país, obtendo a participação da Princesa da Suécia, Sofia, como voluntária no hospital Sophiahemment. Ademais, a empresa receberá o auxílio de SKR1 1,5 bilhões em garantias de créditopara enfrentar o cenário de crise econômica.

Tais ações evidenciam o peculiar cenário pandêmico por que passa a Suécia. Apesar de ações pontuais do governo, são escassas as iniciativas tomadas tanto pela Sociedade Civil quanto pelo setor empresarial - quando consideradas as massivas ações em curso no resto do planeta. Ainda assim, é possível afirmar que a Suécia não se mostra inativa perante à Covid-19, ainda que inegavelmente tome uma postura diversa.